quinta-feira, 17 de maio de 2012

Papel social do Arquiteto e Urbanista.


Papel social do Arquiteto e Urbanista
Autor: José Alberto Tostes


              Participei ativamente nestes últimos anos da discussão que tem permeado o exercício da vida profissional na área de Arquitetura e Urbanismo. Qual o papel social do Arquiteto e Urbanista? Sempre ficou marcado historicamente a imagem de que o arquiteto era um ser “divino”, detentor de muitas habilidades individuais. Durante décadas os cursos de formação de arquitetos principalmente na trajetória do século XIX e princípios do século XX desenvolveram a ideia de que arquitetura era algo sublime, o valor estético era algo supervalorizado, nesta época o arquiteto que dominasse os princípios ligados a forma era completamente endeusado.
              Não há dúvida de que nos últimos dez anos ocorreram múltiplos avanços do ensino e das Escolas de Arquitetura no Brasil e em várias partes do Mundo, são ricos os exemplos de participação efetiva de acadêmicos de Arquitetura em diversos projetos de grande relevância para sociedade. Arquitetura avançou em temas importantes como o desenvolvimento de projetos cada vez mais ousados e audaciosos, projetos que desafiam a lei da gravidade. É possível dizer que projetos do novo milênio têm contribuído inclusive para melhorar e aperfeiçoar a Engenharia. Os exemplos estão a céu aberto por inúmeras cidades do Planeta.
              Porém, há que se fazer uma ressalva, ainda há um distanciamento relativo do trabalho do arquiteto em relação a uma participação politica e social mais vigente atuante. Em outras épocas, Arquitetura era considerada coisa da Elite, hoje já se tornou mais democrático o acesso, por mais incrível que possa parecer a Tecnologia democratizou o acesso a Arquitetura. Em décadas passadas inúmeros acadêmicos tinham recursos para adquirir todos os equipamentos e materiais exigidos para se ter à considerada formação “adequada”.
              É certo, em função do modelo adotado pelos cursos de Arquitetura, sempre houve a tendência do acadêmico logo se “apaixonar” pela disciplina de projeto com a clara ideia de que rapidamente haveria a possibilidade de ter usufruto profissional, no passado como desenhista, no presente como cadista. O resultado deste cenário contribuiu, apesar de todo um quadro evolutivo já citado, a formação de um profissional bom tecnicamente, mas fragilizado na visão sistêmica, isso em parte aconteceu porque a formatação do aprendizado do arquiteto estava baseada na técnica e não na concepção.
              Faltou algo relacionado a dimensão sociológica e a fundamentação dos princípios humanísticos para que o acadêmico fosse inserido em um contexto político social. Nos dias atuais para se conceber um projeto de arquitetura e urbanismo, além das regras técnicas e metodológicas de concepção, há um número expressivo de leis, códigos e outros instrumentos importantes que foram fruto de anos, décadas de discussão e participação de movimentos sociais. Na minha época de acadêmico de Arquitetura, quando se falava de Urbanismo, muitos alunos diziam em prosa e verso o seguinte: “Urbanismo é coisa de pobre”. Essa ideia perdura até hoje em muitos lugares. Como profissional e pesquisador posso afirmar que: não era o Urbanismo que era coisa de pobre, e sim a formação dos arquitetos e urbanistas e as cidades que estavam empobrecidas.

              Recentemente verificando vários textos na Internet consegui um texto de André Souza do Sindicato dos Arquitetos do Rio Grande do Norte que destacou algo importante sobre a Arquitetura: “Os arquitetos dispõem de todas as condições para criar moradias de qualidade, onde as famílias possam viver confortavelmente e também contarem com equipamentos urbanos que promovam desenvolvimento social e econômico tais como as creches, escolas, centros de comércio, praças e ginásios. A Arquitetura não carece de grandes orçamentos ou tecnologias avançadas para servir ao ser humano. Neste processo de formação de uma Sociedade realmente justa, no que diz respeito ao ordenamento de espaços úteis aos cidadãos, os arquitetos passam a assumir um papel muito importante, pois é preciso esclarecer que a Arquitetura serve às pessoas desde o berço ao túmulo, já que elas nascem em Maternidades, moram em casas, estudam em escolas, se divertem em boates, frequentam restaurantes, veem peças no teatro, torcem nos estádios e assim, graças à Arquitetura, sempre têm os cenários corretos para as várias fases de suas vidas”.

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