terça-feira, 1 de maio de 2012

Condicionantes e varíáveis da Arquitetura

 Condicionantes e varíáveis da Arquitetura
Autor: José Alberto Tostes
                                                                           
                        O labor do arquiteto está determinado por dois aspectos essenciais, a natureza e a sociedade. A primeira tem que responder porquanto a obra estará insertada em determinadas condições climáticas que estabeleceram as regulações para a solução das necessidades de proteção do meio que o ser humano requer. Este, como base da sociedade em que se incerta, estabelece os programas das instalações, precisa das regras e normas de comportamento e funcionalidade deste conjunto humano e determina, em suas relações interpessoais e intergrupais, os aspectos que estruturam a cultura destes grupos humanos, organizados de acordo com determinadas condições, aceitas e assimiladas pela maioria e que estabelecem uma comunidade de vivências para eles.
                        Estes aspectos culturais que abarcam toda a atividade humana, a histórica e a por criar são valorizados pela sociedade em questão, a qual assumirá aqueles que se adequam ao sistema de relações estabelecidas entre estas pessoas, adjudicando-se como identitários do grupo.
O fato cultural -  a arquitetura como parte do mesmo – se distingue porque é uma relação sujeito – objeto e sujeito – sujeito e é precisamente o fato de que a atividade humana constitua uma transformação dos objetos por parte do sujeito, o que faz aparecer o objeto humanizado. Todo ele nos leva a pensar na arquitetura como atividade particular e formadora de um objeto humanizado especial tendente a enfrentar a solução de determinadas necessidades surgidas através da interatividade de aspectos que condicionam sua objetivação e portanto vê-la como um complexo organizado, como um sistema que deve ser estabelecido mediante o que a ciência hoje denomina de enfoque sistêmico.
Nesta relação inter-atuante de fenômenos que conformaram a arquitetura, são aqueles aspectos que não pode prescindir sem deixar de ser, estão os físicos do lugar assim como os climáticos; os costumes; a forma de uso de objetos materiais; as características pessoais e coletivas próprias do grupo; as regras, disposições e forma de estrutura social adotada; a organização da sociedade a que deve ser valorizados, filtrados e executados a partir do progresso social, técnico e econômico alcançado neste momento.
Outros diferentes autores estabelecem diferentes ordenamentos para este fenômenos conformadores no estudo, interpretação e tarefas assinadas a arquitetura de acordo com seus pontos de vistas e considerações sócio-culturais. Não obstante existem coincidências no sentido geral: Para Zevi  a arquitetura possui interpretações políticas, filosófico-religiosas, científicas, econômico-social, técnica, físico-psiciológica, formalista e espacial; Tedeschi entende como tarefas do arquiteto, a natureza ( terreno, vegetação, clima), a sociedade ( uso físico, psicológico, social, técnico e econômico), a Arte ( a forma e o gosto e a personalidade); Moholi Nagy assinala que “ao projetar um edifício se apresenta os mais diversos problemas: sociais, econômicos, tecnológicos, de higiene [...] de sua correta resolução depende o destino [...]
Desta maneira e a partir de uma conjugação coerente inter-relacionada o autor tem estabelecido sete pares de condicionantes que intervém no processo da conformação do ambiente. Estas condicionantes tem definido o que há sido necessário ao homem desenhar para a solução de suas necessidades, tanto materiais como espirituais e a sua vez são definitórias também, desde o ponto de vista conceitual dentro do campo teórico do desenho, de aspectos tão importantes como a estrutura de um desenho contemporâneo e a relação de forma e conteúdo dentro da atividade de acordo com a maneira em que se vinculem entre si por ele a arquitetura, como componente fundamental do meio material e objetual que nos rodeia, considerada, desde suas origens até nossos dias, como um aspecto essencial da arte requer que os níveis estéticos da qual é portadora, sejam sustentados e desenvolvidos tendo em conta os seguintes pares de condicionantes: histórico-culturais, étnico-vernáculos, físico-ecológicos,sócio-políticos, técnico-econômicos, organizativo-funcionais e estético-formais.
Uma definição de cada um deles se faz necessário para a compreensão das idéias que sustentam as variáveis e condicionantes na Arquitetura:
Os faores histórico-culturais são aqueles aspectos da cultura reconhecidos como identitários em sua época produtos de um processo evolutivo desde suas origens os quais, chegados a uma determinada consolidação dão lugar, por conseguente, a caracterização de uma determinada identidade. Os condicionantes físico-ecológicos são aqueles aspectos físicos ( agentes naturais: ar, temperatura, humidade, sismicidade, etc; características geográficas: topografia, hidrografia, regime de chuvas, asoleo,etc.; produtos naturais: botânicos, minerais e animais), que condicionam as formas de vida e de ação dos homens sobre meio e no meio em que se desenvolvem. Os fatores sócio-políticos são aqueles aspectos que estão determinados pela política existente com respeito a uma atividade específica a partir da qual se conformam os diferentes programas: educação, cultura, ciência, saúde, habitação, economia, etc., ou com respeito a sociedade em seu conjunto e que dependem, em todos os casos, de interesses particulares setoriais condicionados, a sua vez, pelos interesses gerais da classe social que ostenta o poder.
Os dispositivos organizativo-funcionais vão desenvolver-se nos espaços do desenho e que estabelecem uma determinada relação destes espaços entre si e consigo mesmo, enquanto a suas secções componentes. As questões étnico-vernáculos são aspectos tradicionais próprios, que caracterizam a região , desde o ponto de vista cultural, étnico estético. No caso, estes estão dados pela forma de trabalho e o uso que se dá aos materiais do lugar, as disposições e distribuições dos locais e as funções a se desenvolverem neste caso; o tratamento e o colorido, as superfícies,etc.
Os condicionantes estético-formais entram no jogo próprio do fazer projetivo da atividade e que estão determinados por conceitos estabelecidos no processo perceptivo-visual e que formam os elementos organizativos de todo o desenho: contraste, relação figura-fundo, projeção, ritmo, equilíbrio, movimento, espaço, matéria, estrutura, massa, luz, cor, textura,etc. Os aspectos técnicos-econômicos permitem as valorizações correspondentes e servem por sua vez como elementos de balanço na tomada de decisões com respeito a conveniência e não do uso de determinadas tecnologias, técnicas, materiais, equipes, soluções de desenho, etc.
           Como se expressou mais acima nenhum dos pares conformadores se comportam na vida de maneira independente, todos se encontram inter-relacionados e inter-atuam em todo momento, em toda época e lugar e em qualquer circunstância em que o homem tem desenhado o ambiente necessário para a solução de suas necessidades.
  
 

Um comentário:

  1. Os condicionantes estético-formais entram no jogo próprio do fazer projetivo da atividade e que estão determinados por conceitos estabelecidos no processo perceptivo-visual e que formam os elementos organizativos de todo o desenho: contraste, relação figura-fundo, projeção, ritmo, equilíbrio, movimento, espaço, matéria, estrutura, massa, luz, cor, textura,etc. Os aspectos técnicos-econômicos permitem as valorizações correspondentes e servem por sua vez como elementos de balanço na tomada de decisões com respeito a conveniência e não do uso de determinadas tecnologias, técnicas, materiais, equipes, soluções de desenho, etc.

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